Marcelo Tas solta o verbo esta semana no ‘Irritando Fernanda Young’

06/08/2009 - GNT

O jornalista e apresentador Marcelo Tas é o próximo convidado do “Irritando Fernanda Young”. Seu lendário personagem dos anos 80, Ernesto Varela, foi o pai do “jornalismo humorístico” que se vê hoje em dia. O programa, que vai ao ar no dia 9, é temperado com histórias de sua vida, críticas a políticos e reflexões sobre o mundo virtual.

Quando questionado sobre qual é o limite para que essa prática do humor não se torne somente ridicularizar o outro, Tas tem a resposta na ponta da língua: “O limite é quando a ironia não atropela o respeito. Porque mesmo quando você entrevista um crápula, um político que você detesta ou que você sabe que faz muito mal para o nosso país, se você não o trata com respeito, eu acredito que você acaba dando força para ele”.

Fernanda Young lança mais uma pergunta ao convidado. “Para onde vai Maluf quando ele morrer?”. E ele responde: “Para o inferno”. Paulo Maluf, porém, não é o maior alvo das críticas de Marcelo Tas. “O Maluf é o Rubinho perto do Sarney. O Sarney é o Schumacher. O Sarney está há 50 anos no poder e nos irritando”, ironiza.

Em seguida, Tas conta sua trajetória e como se tornou jornalista ainda na faculdade de engenharia da USP, quando virou editor de um jornal anarquista. Relembra que o sobrenome artístico “Tas” foi originado da conjunção das iniciais dos três sobrenomes – Tristão Athayde de Souza –, ainda nos anos universitários para facilitar a vida dos colegas que assinavam a lista de presença em seu lugar, porque ele não ia às aulas. Fernanda Young destaca o fato de Tas ter sido bailarino na juventude. “Cheguei a dançar pelado. Meu pai quase morreu”, diverte-se o apresentador.

Fernanda aponta que Tas foi um dos maiores entusiastas da internet há cerca de 20 anos. Ela confessa sua irritação com a exposição do mundo virtual e com o seu perfil falso criado no Twitter. Marcelo Tas opina que não é preciso desmascarar. “A mentira tem cada vez mais perna curta”, afirma. E faz uma reflexão sobre as relações humanas neste novo cenário: “Quem não sabe ouvir está perdido. E eu estou falando de empresas, de bancos, de emissoras de televisão, dos pais. Porque as pessoas agora podem falar. Elas têm os seus próprios meios de comunicação. Os políticos que não souberem ouvir estão perdidos agora. A eleição do Obama não é uma coincidência”.

Marcelo Tas faz, ainda, uma crítica a Caetano Veloso. “Ele gostar de axé music, tudo bem, mas ele ficar teorizando sobre a beleza do axé music me irrita. Ele podia fazer um disco: ‘As 10 mais do Caetano, de axé music’. Eu ia ouvir com muita atenção”, ironiza.

E para encerrar o programa, mais um assunto polêmico. Fernanda comenta a experiência do apresentador com o chá Ayahuasca, bebida alucinógena de uso legal no Brasil, utilizada em rituais religiosos. Ele considera que foi uma experiência definitiva em sua vida, mas faz uma ressalva: “Só recomendo para as pessoas que se interessarem por esse assunto entrarem nessa através de um ritual, de um bom xamã”, ressaltando que só tomou o chá uma vez.