22/05/2009 - Reivsta Tititi
CQC: Sete homens e um segredo (de sucesso)
O programa completa um ano na Band aprontando todas e fazendo do jornalismo uma brincadeira muito séria
Por Carolina Vertematti e Rose Delfino
Custe o que custar
Algumas pessoas duvidavam que o CQC (Custe o Que Custar), atração das noites de segunda na Band, pudesse fazer sucesso. Até os próprios integrantes do programa chegaram a pensar que os brasileiros não aceitariam tão bem a ironia mais sofisticada sobre a política nacional.
Mas, depois de um ano no ar (a estreia foi em 17 de março de 2008), os intrépidos rapazes de terno e óculos escuros, decididamente, mostraram a que vieram: fazer humor inteligente e inteiramente crítico. Deu certo, tanto que a atração sempre fica em terceiro lugar em audiência num horário disputadíssimo com filme na Globo e novelas na Record e SBT.
À frente do grupo, Marcelo Tas, que comanda a bancada, na companhia de Marco Luque e Rafinha Bastos, continua surpreendendo nesta nova temporada que se iniciou em 9 de março. A trupe inova. Em meio à bagunça, que às vezes se instala, o que sobra é criatividade.
Nas ruas, os repórteres Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Rafael Cortez e Oscar Filho, cada vez mais, divertem os telespectadores na corrida incessante atrás de celebridades e políticos. Eles não têm receio de parecer ridículos, riem de si mesmos. Conheça um pouco melhor esses sete aventureiros - meio jornalistas, meio humoristas - que estão inovando o gênero na TV.
Marcelo Tas
No começo, vocês foram comparados ao Pânico na TV. Isso os incomodava?
No início, sim. Depois, foi um prazer e uma grande conquista ver nossas trajetórias se descolando. Hoje, poucos ou quase ninguém vê sentido nessa comparação.
O que ainda está faltando para o CQC conquistar maior abrangência?
Amadurecemos e atingimos uma audiência considerável mais cedo que o previsto. Mas ainda temos muito a conquistar. Nossa tarefa diária é traduzir a complexidade do mundo com alguma graça e ousadia sem cair no humor rasteiro ou preconceituoso.
Sua carreira é bem diversificada. O que ainda pretende realizar?
Na minha listinha estão os seguintes itens: escrever um livro, criar um programa de rádio, voltar a fazer teatro.
Como você é com seus filhos?
Minha relação com eles e com minha mulher, a atriz Bel Kowarick, é o sinal mais preciso e precioso da minha conexão com o mundo real. Minhas filhas, Luiza, 20 anos, e Clarice, de 3, são extremamente intensas e sedutoras. Dificilmente, consigo fazê-las mudar de opinião. Já o Miguel, de 6, é bem tranquilão, um grande parceiro de Nintendo Wii (jogo de videogame interativo e muito divertido) (risos).
Você faz o tipo pai liberal ou conservador?
Tenho um DNA de pai conservador, mas na prática sou ultraliberal. Se alguém souber falar comigo direto ao coração, viro uma manteiga. Eu me derreto fácil!
Marco Luque
Para você, como é fazer o CQC?
É demais, tanto o Tas quanto o Rafinha são verdadeiros amigos e ótimos parceiros de bancada. Aprendo muito com eles e sei que contribuo à minha maneira nesse trio.
O que você espera do programa neste segundo ano?
Quero fazer humor cada vez mais e me divertir sempre.
Verdade que as meninas atacam você na rua?
É relax! Passo despercebido em diversos lugares.
Há alguma mulher que você considere a mais bonita?
Cada mulher tem sua beleza, é só saber olhar pra ela.
Qual foi o seu sonho mais recente?
Sempre sonho que estou voando ou atravessando paredes!
Rafael Cortez
Você está lançando um CD de música erudita. O público não cobrou um disco mais cômico?
Até agora estão recebendo muito bem. Antes, apresentei um ou dois hits engraçadinhos, propositalmente bregas e idiotas, na internet. Mas quando falei de violão clássico, das minhas composições, um CD autoral mais intimista, todo mundo se animou bastante. Isso me deu gás para voltar a tocar e a dar recitais.
Nossa! Como você está sério, de onde vem esse seu outro lado mais sisudo?
Hoje minha vida é muito boa, mas nem sempre foi assim. Trabalhei como professor de violão, músico de restaurante e garçom entre outras funções. Penei, tive mil dúvidas de percurso e uma história que não foi mole. Acho que isso me deixou mais realista e sério.
Quem você quer muito entrevistar?
Maria Bethânia. Ela é a última grande diva do Brasil, sem nenhuma brincadeira.
Oscar Filho
Como surgiu a ideia de colocar um político em uma van para ser entrevistado por um popular no novo quadro?
A ideia é do CQC argentino (o Caiga Quien Caiga) do qual o nosso programa se originou. Lá eles fizeram primeiro. Mas nossos políticos são únicos e aqui dá mais certo ainda.
Qual é a reação das pessoas na rua com o pessoal do CQC?
Dizem que somos inteligentes pra caramba, me zoam e falam que não sou tão baixinho assim (risos). Ficam rindo.
Quem você ainda sonha entrevistar?
O Silvio Santos. Ele é gênio. Admiro também Pedro Cardoso e o saudoso Marlon Brando.
Planeja fazer alguma grande loucura na vida?
Pular de paraquedas! Vai acontecer em breve e vou filmar.
Felipe Andreoli
Como você pretende surpreender o público nesta segunda temporada de programa?
Juntando muito humor com informação. Além de audácia, sagacidade, amor e humildade, vontade de trabalhar, trocadilhos pobres, cenas de nudismo e beijo na boca (risos).
Como consegue manter essa cara de pau para entrevistar os políticos?
Nem eu sei às vezes... Mas acho que vem da indignação que sinto, vendo os absurdos que alguns políticos ousam cometer contra a população. A gente paga o salário deles, então, vai lá e desabafa em nome de todos.
Você tem algum ídolo?
Sempre fui fã do tenista Gustavo Kuerten.
Está namorando?
Sim, sempre.
Rafinha Bastos
Entre jornalismo e humor, o que prefere?
Qualquer um, mas sem tomate, por favor!
Como é trabalhar com Tas e Marco Luque na bancada?
É maravilhoso! E que bom que isso aconteceu na TV, e não num banco.
O Tas aceita a opinião de vocês no programa?
Sim, principalmente quando ele está de verde.
Com o sucesso, existe muito assédio das mulheres?
Exis... (a resposta ficou inacabada porque, segundo ele explicou brincando, uma fã aos pés dele lhe rasgou a meia).
Danilo Gentile
Você lida bem com a fama?
Sim, mas alguns fãs são chatos demais, sabia? Se está comendo, eles se metem entre você e o prato de comida pra tirar foto... Outros são bastante agressivos, passam pela gente e dão um tapa na cabeça. Mas há os fãs que são legais e fazem até massagem.
Já teve vergonha alguma vez na vida? Sempre me perguntam "que pouca-vergonha é essa?"
Então, eu tenho vergonha sempre. Pouca, mas tenho.
Há alguém que você ainda queira entrevistar?
O Clodovil. Mas sei que não vou conseguir nunca (risos).
Já teve vontade de sair com alguma famosa?
Acho todas as mulheres bonitas. Menos as feias. A única famosa com a qual eu já quis sair é a Hebe! (risos)